terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Formação litúrgica – As partes da Missa


Formação litúrgica – As partes da Missa
Ato penitencial
Após a saudação do povo, o sacerdote, o diácono, ou um ministro leigo, pode introduzir os fiéis na Missa do dia.
Em seguida, o sacerdote convida para o ato penitencial, que após breve pausa de silêncio, é realizado por toda a assembleia através de uma fórmula de confissão geral, e concluído pela absolvição do sacerdote, absolvição que, contudo, não possui a eficácia do sacramento da penitência.
Aos domingos, particularmente, no tempo pascal, em lugar do ato penitencial de costume, pode-se fazer, por vezes, a bênção e aspersão da água em recordação do batismo.
Senhor, tende piedade
Depois do ato penitencial inicia-se sempre o Senhor, tende piedade, a não ser que já tenha sido rezado no próprio ato penitencial. Tratando-se de um canto em que os fiéis aclamam o Senhor e imploram a sua misericórdia, é executado normalmente por todos, tomando parte nele o povo e o grupo de cantores ou o cantor.
Via de regra, cada aclamação é repetida duas vezes, não se excluindo, porém, um número maior de repetições por causa da índole das diversas línguas, da música ou das circunstâncias. Quando o Senhor é cantado como parte do ato penitencial, antepõe-se a cada aclamação uma "invocação" ("tropo").
Glória a Deus nas alturas
O Glória, é um hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro. O texto deste hino não pode ser substituído por outro. Entoado pelo sacerdote ou, se for o caso, pelo cantor ou o grupo de cantores, é cantado por toda a assembleia, ou pelo povo que o alterna com o grupo de cantores ou pelo próprio grupo de cantores. Se não for cantado, deve ser recitado por todos juntos ou por dois coros dialogando entre si.
É cantado ou recitado aos domingos, exceto no tempo do Advento e da Quaresma, nas solenidades e festas e ainda em celebrações especiais mais solenes.
Oração do dia (coleta)
A seguir, o sacerdote convida o povo a rezar; todos se conservam em silêncio com o sacerdote por alguns instantes, tomando consciência de que estão na presença de Deus e formulando interiormente os seus pedidos. Depois o sacerdote diz a oração que se costuma chamar "coleta", pela qual se exprime a índole da celebração. Conforme antiga tradição da Igreja, a oração costuma ser dirigida a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo e por uma conclusão trinitária, isto é com uma conclusão mais longa, do seguinte modo:
- Quando se dirige ao Pai: Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo;
- Quando se dirige ao Pai, mas no fim menciona o Filho: Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo;
- Quando se dirige ao Filho: Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.
O povo, unindo-se à súplica, faz sua a oração pela aclamação Amém.
Na Missa sempre se diz uma única oração do dia.

Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos
 Roma - 2002





sábado, 3 de dezembro de 2016

Como esperar o Natal


Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta
O tempo do Advento, no qual os cristãos se preparam para a celebração do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos ensina a esperar. Como temos dificuldades de esperar! Pessoas ficam ansiosas e perdem a paz com facilidade. Tudo está acelerado. O que vale é o agora, o instante, que deve ser intenso e pleno. O Advento nos educa a viver o tempo da espera. Diante dos olhos temos Jesus Cristo que, após uma longa espera pelo povo da primeira Aliança, veio até nós, nascido da Virgem Maria. Preparamo-nos para celebrar sua vinda entre nós, seu nascimento. Mas, também, o Advento nos recorda que Cristo vem hoje, presente na sua Igreja, nas pessoas, no mundo, nas famílias, nos sofredores e, como em Belém, procura “um lugar”, alguém que o acolha. Em terceiro lugar, o Advento projeta nosso olhar para o futuro, para o Cristo Ressuscitado, que, qual Juiz, virá um dia para julgar os vivos e os mortos. Uma tríplice espera. Ele veio, Ele vem e Ele virá. Que atitudes cultivar para esperar dignamente? 
A primeira atitude própria de quem espera é a vigilância. É a atitude semelhante à da espera de um amigo. A vigilância oferece o conteúdo à espera, tornando-a ativa e operosa. É uma espera de quem se sente comprometido a tudo preparar para que a chegada do amigo não nos surpreenda. Não nos causa medo, mas nos compromete com as obras de misericórdia (cf. Mt 25, 31-46). A vigilância também indica a atitude de cuidado, para que “a casa não seja arrombada” (Mt 24,43). É a atenção permanente sobre si mesmo, assumindo responsavelmente sua vida. A vigilância, também, nos mostra sempre o quanto ainda precisamos crescer. Nos faz ver os sinais do Reino de Deus presentes no mundo e, ao mesmo tempo, quanto ainda o mundo é injusto, violento, excludente.
A segunda atitude de quem espera é a oração. Ela é expressão da confiança em Deus que caminha conosco, pois Ele veio até nós. A oração do Advento é uma oração alegre. Ela expressa admiração, como nas conhecidas antífonas do “Ó” que antecedem o Natal, e gratidão, como os pastores “que voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido” (Lc 2,20). Somos convidados, especialmente, a rezar com os grupos de reflexão, através do material preparado pelo nosso Regional da CNBB, “Natal, a alegria do amor em família”.
A terceira atitude de quem espera é estar atento aos sinais. O Natal tem seus símbolos próprios. Não deixemos que a sociedade de consumo nos roube estes símbolos. Fixemos a estrela nas portas da casa, preparemos o presépio, deixemos nosso lar com ares de festa e não esqueçamos o Menino Jesus. Não deixemos o Papai Noel ocupar o lugar que não lhe pertence. Mas, sobretudo, os sinais se manifestam nas pessoas, na acolhida, no perdão e na misericórdia. 
A quarta atitude própria da espera do Natal é a solidariedade. Ele “se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza” (2Cor 8,9). Veio ao encontro dos pobres, nasceu pobre e viveu pobre. Não o aguardemos em Jerusalém. Se quisermos encontrá-lo façamos o “êxodo” de nós mesmos em direção a Belém e Nazaré. Nos gestos solidários, o rosto de Deus se manifesta. 
Enfim, esperemos ativamente o Natal. Esperemos pessoalmente. Esperemos em nossa família, no nosso grupo de reflexão e em nossa comunidade de fé. “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22,20), nós te esperamos.


Fonte: http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19904:como-esperar-o-natal&catid=432&Itemid=204

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A comunicação e o testemunho da caridade


Enfim chegou dezembro: o novo ano litúrgico começou, o ano civil terminou. É tempo de celebrar o advento e viver o Natal. O Natal de Jesus Cristo que nasce a cada dia em nós e que morre todos os dias quando os cristãos deixam de viver seus mandamentos.
No ano de 2014 a Igreja lançou o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, o Documento 99. Este Documento é destinado aos responsáveis pela formulação e pela condução das práticas de comunicação [...] na vida eclesial e nas relações da Igreja com a sociedade.
Por viver no mês de dezembro um clima favorável à prática da caridade, compartilhamos com todos(as) o número 29 do Diretório que relata:
A comunicação como fator de comunhão - 29. A ação comunicativa oferece caminhos para o testemunho da caridade, facilita os relacionamentos interpessoais, favorece a partilha, a colaboração e o serviço aos mais necessitados. A comunicação pode contribuir para o crescimento de uma consciência “das alegrias e das esperanças, das tristezas e das angústias dos homens de hoje, dos pobres e, sobretudo, de todos aqueles que sofrem”. Com fator de comunhão, a comunicação ajuda a Igreja a crescer como comunidade, a aproximar-se das pessoas, a conhecer suas necessidades e expectativas, no desejo de encontrar respostas aos seus anseios. Vivenciar e testemunhar a verdade última do amor é a melhor comunicação que a Igreja pode realizar (Documento 99 da CNBB, 2014, p. 26).
Então, é isso. A Igreja de Jesus Cristo em todos os tempos requer de seus fiéis que vivam em comunhão com seu próximo através da comunicação vivenciada na cultura do encontro, no encontro com consigo mesmo(a), com o outro. No encontro que só se concretiza com Cristo e por Cristo.
Viver o Natal é antes de tudo construir um encontro cristão de caridade e fortalecimento da fé.
Feliz Natal e que Jesus Cristo possa nascer todos os dias em nossas vidas!

Equipe PASCOM
Por Aldaberon V. do Nascimento



quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Projeto de Lei que institui a Semana Municipal da Família foi votado na Câmara de Lagoa de Dentro


O Legislativo do município de Lagoa de Dentro aprovou na última terça-feira (29), por 07 votos, o Projeto de Lei nº 002/2016 que estabelece a Semana Municipal de Valorização da Família em Lagoa de Dentro - PB.
O evento deve ser realizado a partir do dia 21 de outubro, onde se comemora o Dia Nacional da Família, quando a sociedade civil organizada, as igrejas e a administração pública municipal realizarão atividades, incluindo palestras, com o objetivo de promover a reflexão sobre a importância e responsabilidade da família como instituição formadora, pregando os seus valores morais e éticos.
Na sessão solene e alusiva ao projeto estiveram presentes várias autoridades constituídas e civis: o padre José André (pároco local), Diácono Major (representando a comunidade evangélica), Fátima Alves (presidente do ACMLD), Lourival (representante do Sindicato Rural), Fabiano Pedro (prefeito), Érica Andrade (primeira dama e secretária), Liliane Soares (secretária municipal de administração), conselheiros tutelares, membros de grupos, movimentos, pastorais e comunidade no geral.
“O que fazer com as famílias? Famílias estão se deteriorando por conta das redes sociais, da violência e da falta de atenção com as coisas que o mundo tem colocado, um mundo cheio de maldades e que ora adentra em nossas casas por meio da família. É importante a instituição desta Lei em nossa cidade, pois juntos podemos somar num trabalho de valorização e resgate familiar, parabenizo os que produziram este projeto e que agora passa a ser uma responsabilidade de todos, o uso correto dos benefícios que essa semana da família trará” ressaltou o sacerdote.
Autora do projeto, Patrícia Almeida (PPS), destacou a importância cultural, social e política de se discutir e incentivar a valorização da família para combater a violência, as drogas e outros males que afetam principalmente as crianças, os adolescentes e jovens.

Henrique Florêncio


















quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Um novo tempo a de vir


Estamos iniciando o novo ano litúrgico e vivenciando o Advento do Senhor. Tempo de alegria e graça, o advento compreende as quatro semanas que antecedem o Natal, em preparação para o nascimento de Cristo Jesus. Este período litúrgico evoca a dupla vinda de Jesus Cristo: a verificada em Belém, quando Ele veio ao mundo, e a que ocorrerá no Seu regresso no Dia do Juízo. Por isso a característica deste tempo, com o qual começa o ano eclesiástico, é a purificação como preparação para receber “Aquele que está para vir”. *
Na aparição à Maria, o Anjo Gabriel disse que em breve ela daria à luz a um menino, o filho de Deus que viria para trazer luz ao mundo. Esse tempo de espera é caracterizado hoje como advento. Tempo de Luz. E a Igreja liturgicamente o representa com a cor roxa que simboliza
No advento há algumas simbologias, como a coroa do advento e usa-se a cor roxa. A coroa do advento é feita de ramos de abeto, com quatro velas (círios), que se acendem uma após a outra nos quatro domingos do advento.
As quatro velas da coroa representam cada uma das quatro semanas e são acesas em cada Domingo do Advento, sendo representadas nas cores verde, vermelha, branca e roxa.
A cor litúrgica desse tempo e a cor roxa que simboliza a espera da luz que virá, Jesus Cristo como fonte de salvação para todos. 


*www.significados.com.br

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Advento: Tempo do homem, tempo de Deus


Dom Pedro Brito Guimarães
Arcebispo de Palmas (TO)

“Tudo tem seu tempo e sua hora e cada ocupação e obrigação tem seu tempo debaixo do céu” (Ecle 3,1). Estamos no tempo do Advento, tempo cronológico e teológico de preparação para o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. O tempo, como a água, não tem cabelo para que se possa agarrá-lo e pará-lo. Por isto, às vezes, tem-se a impressão de que o tempo não passa, ou passa mais rapidamente do que queremos. Cada cultura tem o seu modo e a sua forma de contar o tempo. Há na cultura grega dois termos para se contar o tempo: o crono e o kairós. Com a contagem cronológica marca-se a sucessão das horas, dos dias, das semanas, dos meses e do ano. Este é o tempo quantificado. Esta contagem do espaço e do compasso do tempo, breve ou longo, é chamado de tempo do homem. Este tempo é comumente representado por o que falta para a morte, já que dela não se pode fugir. Com a contagem kairológica marca-se o tempo de Deus: a sua entrada, “invasão” e intervenção na nossa vida e na nossa história. Este tempo não pode ser medido, pois, não tem hora, nem semana, nem mês e nem ano para acontecer. É tempo qualificado e contemplativo, da graça, da oportunidade, da providência, da misericórdia, da esperança e da santidade. Este tempo é livre do peso, da carga, do cansaço, do estresse e da rotina do relógio, do calendário e da agenda.
Estes dois modos de medir o tempo, aqui no Cerrado, coincide com o período das mudanças climáticas: a chegada da estação das chuvas; das primeiras e das trocas das águas; das ninhadas, revoadas e cantatas dos pássaros e das aves, do acasalamento dos animais; das semeaduras, das variedades da tonalidade do verde e das floragens. É que o tempo do Avento é o tempo da fecundação e da gravidez de Maria, da Igreja e de cada um de nós. Gosto muito do tempo do Advento exatamente por causa disto. Combina com o meu biótipo, corporal e espiritual: me adéquo, me alimento e me rejuvenesço com este tempo: gosto de esperar, de me preparar e de expectativa, sou vigilante e creio nas promessas de Deus. Certa feita, uma moça me procurou, desesperada, porque o tempo passou e ela ainda não tinha encontrado a pessoa certa com quem se casar. Eu tentei acalmá-la e animá-la, dizendo-lhe que ainda não tinha chegado o tempo de Deus. Depois de um curto período de tempo, a encontrei novamente, agora casada com um homem de Deus. Foi o que Jesus disse à Maria: “a minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4). E, por seus discípulos, nos diz: “o tempo chegou, se completou e o Reino de Deus está próximo: convertam-se e creiam no Evangelho” (Mc 1,15). E ainda: “venham a mim todos vocês que estão cansados e curvados pelo peso do fardo e eu lhes aliviarei e lhes darei descanso” (Mt 11,28).  Portanto, busquemos a Deus, enquanto Ele pode ser buscado e encontrado (Is 55,6-7); enquanto está disposto a nos perdoar; enquanto se encontra à porta de casa, de abraços abertos, para nos acolher como a filhos pródigos. Jesus continua chorando, às portas de Jerusalém, para que percebamos que a hora e o tempo da paz chegou (Lc 19,41). Ele continua batendo às nossas portas, se convidando para entrar em nossa casa e em nossa intimidade e fazer refeição conosco (Ap 3,20). 
Ninguém, por melhor que seja, está livre, dispensado, proibido e condenado a viver a cotidianidade no tempo e no espaço. Devemos nos ocupar e não nos preocupar com a comida, a bebida e o casamento (Mt 24,38). A pergunta mais inteligente, segundo Victor Frankl, não é: “o que eu ainda devo esperar da vida?” Mas é: “o que a vida pode ainda esperar de mim?” O tempo de Deus pede que o vivamos com leveza, suavidade, gratuidade e sem o exagerado peso dos compromissos agendados, na busca incansável de autenticidade, crescimento e amadurecimento na fé, na vocação e na missão. O teólogo Anselmo Grün, acertadamente diz: “a maior oportunidade é a vida mesma, pela qual passamos quando tão somente planejamos e pensamos, em vez de vivermos”. O papa Francisco, na Evangelli Gaudium, faz uma bela e oportuna aplicação de uns princípios filosóficos para a nossa vida e o nosso tempo, cronológico e kairológico: “o tempo é superior ao espaço” (EG 222-225) = o tempo não cabe nos nossos espaços, pois, é maior. “A unidade prevalece sobre os conflitos” (EG 226-230) = é preferível a unidade, mesmo se perdemos a batalha, do que apostar nos conflitos. “A realidade é mais importante do que a ideia” (EG 231-233) = é perigoso viver somente no mundo das idéias, sem os pés na realidade. E “o todo é superior à parte” (EG 234-237) = quem tem o mais tem o menos, quem tem o menos não tem o mais. Um santo e abençoado Advento, cronológico e kairológico, para todos e todas! 

Fonte: http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19893:advento-tempo-do-homem-tempo-de-deus&catid=372&Itemid=204