segunda-feira, 5 de junho de 2017

Formação Litúrgica – As Partes da Missa



LITURGIA EUCARÍSTICA
Na última Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e a ceia pascal, que tornam continuamente presente na Igreja o sacrifício da cruz, quando o sacerdote, representante do Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo que o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória.
Cristo, na verdade, tomou o pão e o cálice, deu graças, partiu o pão e deu-o a seus discípulos dizendo: Tomai, comei, bebei; isto é o meu Corpo; este é o cálice do meu Sangue. Fazei isto em memória de mim. Por isso a Igreja dispôs toda a celebração da liturgia eucarística em partes que correspondem às palavras e gestos de Cristo. De fato:
1) Na preparação dos dons levam-se ao altar o pão e o vinho com água, isto é, aqueles elementos que Cristo tomou em suas mãos.
2) Na Oração eucarística rendem-se graças a Deus por toda a obra da salvação e as oferendas tornam-se Corpo e Sangue de Cristo.
3) Pela fração do pão e pela Comunhão os fiéis, embora muitos, recebem o Corpo e o Sangue do Senhor de um só pão e de um só cálice, do mesmo modo como os Apóstolos, das mãos do próprio Cristo.
Preparação dos dons
No início da liturgia eucarística são levadas ao altar as oferendas que se converterão no Corpo e Sangue de Cristo.
Primeiramente prepara-se o altar ou mesa do Senhor, que é o centro de toda a liturgia eucarística, colocando-se nele o corporal, o purificatório, o missal e o cálice, a não ser que se prepare na credência.
A seguir, trazem-se as oferendas. É louvável que os fiéis apresentem o pão e o vinho que o sacerdote ou o diácono recebem em lugar adequado para serem levados ao altar. Embora os fiéis já não tragam de casa, como outrora, o pão e o vinho destinados à liturgia, o rito de levá-los ao altar conserva a mesma força e significado espiritual.
Também são recebidos o dinheiro ou outros donativos oferecidos pelos fiéis para os pobres ou para a igreja, ou recolhidos no recinto dela; serão, no entanto, colocados em lugar conveniente, fora da mesa eucarística.
O canto do ofertório acompanha a procissão das oferendas (cf. n. 37, b) e se prolonga pelo menos até que os dons tenham sido colocados sobre o altar. As normas relativas ao modo de cantar são as mesmas que para o canto da entrada (cf. n. 48). O canto pode sempre fazer parte dos ritos das oferendas, mesmo sem a procissão dos dons.
O pão e o vinho são depositados sobre o altar pelo sacerdote, proferindo as fórmulas estabelecidas; o sacerdote pode incensar as oferendas colocadas sobre o altar e, em seguida, a cruz e o próprio altar, para simbolizar que a oferta da Igreja e sua oração sobem, qual incenso, à presença de Deus. Em seguida, também o sacerdote, por causa do ministério sagrado e o povo, em razão da dignidade batismal podem ser incensados pelo diácono ou por outro ministro.
Em seguida, o sacerdote lava as mãos, ao lado do altar, exprimindo por esse rito o seu desejo de purificação interior.
Oração sobre as oferendas
Depositadas as oferendas sobre o altar e terminados os ritos que as acompanham, conclui-se a preparação dos dons e prepara-se a Oração eucarística com o convite aos fiéis a rezarem com o sacerdote, e com a oração sobre as oferendas.
Na Missa se diz uma só oração sobre as oferendas, que termina com a conclusão mais breve, isto é: Por Cristo, nosso Senhor; se, no fim, se fizer menção do Filho, a conclusão será: Que vive e reina para sempre.
O povo, unindo-se à oração, a faz sua pela aclamação Amém.

Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos
 Roma - 2002



domingo, 21 de maio de 2017

Cultivar e guardar a criação


Cultivar e guardar a criação
                                                (Gn 2.15)

[...] O Criador foi pródigo com o Brasil. Concedeu-lhe uma diversidade de biomas que lhe confere extraordinária beleza. Mas, infelizmente, os sinais da agressão à criação e da degradação da natureza também estão presentes. Entre vocês, a Igreja tem sido uma voz profética no respeito e no cuidado com o meio ambiente e com os pobres. Não apenas tem chamado a atenção para os desafios e problemas ecológicos, como tem apontado suas causas e, principalmente, tem apontado caminhos para a sua superação. Entre tantas iniciativas e ações, me apraz recordar que já em 1979, a Campanha da Fraternidade que teve por tema “Por um mundo mais humano” assumiu o lema: “Preserve o que é de todos”. Assim, já naquele ano a CNBB apresentava à sociedade brasileira sua preocupação com as questões ambientais e com o comportamento humano com relação aos dons da criação.
[...] “não podemos deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas” (LS, 43). Os biomas do Brasil através da promoção de relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles vivem. Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais.
Os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem nos oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa, portadora de plenitude e misericordiosa. Por isso, é necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres.


Trechos de uma mensagem enviada pelo Papa Francisco por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2017. Disponível em http://br.radiovaticana.va

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Por que maio é o mês de Maria?



Durante vários séculos a Igreja Católica dedicou todo o mês de maio para honrar a Virgem Maria, Mãe de Deus.
A tradição surgiu na Grécia antiga. O mês de maio era dedicado a Artemisa, deusa da fecundidade. Algo semelhante ocorreu na antiga Roma, pois maio era dedicado a Flora, deusa da vegetação. Naquela época, celebravam os ‘ludi florals’ (jogos florais) no fim do mês de abril e pediam sua intercessão.
Na época medieval abundaram costumes similares, tudo centrado na chegada do bom clima e o afastamento do inverno. O dia 1º de maio era considerado como o apogeu da primavera.
Durante este período, antes do século XII, entrou em vigor a tradição de Tricesimum ou “A devoção de trinta dias à Maria”.
A ideia de um mês dedicado especificamente a Maria remonta aos tempos barrocos – século XVII. Apesar de nem sempre ter sido celebrado em maio, o mês de Maria incluía trinta exercícios espirituais diários em homenagem à Mãe de Deus.
Foi nesta época que o mês de maio e de Maria combinaram, fazendo com que esta celebração conte com devoções especiais organizadas cada dia durante todo o mês. Este costume durou sobretudo durante o século XIX e é praticado até hoje.
As formas nas quais Maria é honrada em maio são tão variadas como as pessoas que a honram.
As [comunidades] costumam rezar no mês de maio uma oração diária do Terço e muitas preparam um altar especial com um quadro ou uma imagem de Maria. Além disso, trata-se de uma grande tradição a coroação de Nossa Senhora, um costume conhecido como Coroação de Maio.
Normalmente a coroa é feita de lindas flores que representam a beleza e a virtude de Maria e também lembra que os fiéis devem se esforçar para imitar suas virtudes. [...] Esta coroação acontece em uma grande celebração [...] tanto nas igrejas quanto nas casas dos devotos de Nossa Senhora.
Entretanto, os altares e coroações neste mês não são apenas atividades “da paróquia”. Podemos e devemos fazer o mesmo em nossos lares com o objetivo de participar mais plenamente na vida da Igreja.
Devemos separar um lugar especial para Maria, não por ser uma tradição comemorada há muitos anos na Igreja ou pelas graças especiais que podemos alcançar, mas porque Maria é nossa Mãe, mãe de todo o mundo e porque se preocupa com todos nós, intercedendo inclusive nos assuntos menores.
Por isso, merece um mês inteiro para homenageá-la.

Baseado em: http://www.acidigital.com

sábado, 13 de maio de 2017

Maria comunicadora e a família


O evangelista Lucas narra a história de Maria, a mãe de Jesus, com uma riqueza de detalhes, nos quais podemos perceber o processo da comunicação de um Deus necessitado da palavra de Maria, para realizar seu projeto de religar, reatar os laços de amor com o ser humano, através da encarnação do seu Filho no seio de Maria. Toda comunicação verdadeira respeita a palavra do outro antes de se realizar plenamente. Se o outro consentir, a palavra se realiza. Pressupõe escuta e acolhimento. Em Maria, a comunicação se faz de verdade.
26E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. 28 E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres. 29 E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta. 30 Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus, 31 E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. 32 Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, 33 e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim. 34 E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão? 35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus. 36 E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril. 37 Porque para Deus nada é impossível. 38 Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela. (Lc 1, 26-38)
Os demais acontecimentos, já os conhecemos. Maria corre para a casa de sua prima Isael. No encontro dessas duas mulheres, temos um dos mais fabulosos e profundos eventos comunicativos entre duas pessoas empáticas. Isabel, ao vê-la, exclama: “’Como pode a mãe do meu Senhor vir me visitar?’ . E a criança estremeceu em seu seio” – diz o texto bíblico. Maria, sentindo o significado dessas palavras, proclama, num hino, as bênçãos de Deus sobre si e o seu povo (cf. Lucas 1, 39ss)
Essa narração nos remete a um fato específico: a gravidez. A esposa que conta ao seu esposo que está grávida... Que sentimentos e gestos comunicativos envolvem o casal nesse momento! Sabemos que desde a concepção o novo ser percebe os primeiros gestos comunicativos entre os pais. Maria, plena de Deus, encontra-se com Isabel e nenhuma palavra precisa ser acrescentada. A comunicação é o encontro de Maria com sua interlocutora: Isabel.
Vemos nesse encontro, todo o processo da comunicação sendo vivido com intensidade por essas duas mulheres. Há, em tal passagem bíblica, a contextualização do local onde se desenrola a cena e a apresentação dos emissores/receptores: anjo, Maria e Isabel. O conteúdo da mensagem, o diálogo para compreender e interagir com a mensagem, a resposta e a ação comunicativa (transmissão).


Kurten, Ivonete. Comunicação e família, 2. Ed. São Paulo: Paulinas, 2005

domingo, 7 de maio de 2017

Conversando com a Mãe Jubilar...

             

             Querida Rainha do céu,
             És nossa Mãe e Padroeira.
             Há 300 anos, o teu coração materno voltou-se de forma particular para a situação histórica, cultural e econômica do nosso país. E com um gesto tão simples, falaste ao coração dos brasileiros, dando com fidelidade, o recado de Deus: Ele é Pai de todos nós!
            És a Virgem de negra cor!  És o refúgio dos necessitados! És a embaixadora do meu Senhor! Que evangeliza o nosso povo de forma tão simples, porém com imenso amor.
            És o sinal vindo do céu, que o Pai nos enviou! És a Advogada dos indefesos! Por isso, te veneramos com louvor! Agradecemos tuas mãos postas em prece, intercedendo sempre em nosso favor,
É ano jubilar!  E contigo queremos celebrar!  Contemplando tantos milagres que vem da oração do teu Doce Coração transpassado.
Mas ao mesmo tempo, Amável Mãe, pedimos que o teu Doce olhar se volte para nós os pecadores.
Vê Mãezinha! O teu povo padece fome e sede, do Deus vivo.  Muitos dos teus filhos estão perdidos.  A situação do Brasil hoje grita aos céus. Venha em nosso auxílio, Medianeira das graças! Confiamos em ti!

Mazé Andrade- CDMD


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Formação Litúrgica

Formação Litúrgica – As Partes da Missa
LITURGIA DA PALAVRA

Profissão de fé
O símbolo ou profissão de fé tem por objetivo levar todo o povo reunido a responder à palavra de Deus anunciada da sagrada Escritura e explicada pela homilia, bem como, proclamando a regra da fé através de fórmula aprovada para o uso litúrgico, recordar e professar os grandes mistérios da fé, antes de iniciar sua celebração na Eucaristia.
O símbolo deve ser cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo aos domingos e solenidades; pode-se também dizer em celebrações especiais de caráter mais solene.
Quando cantado, é entoado pelo sacerdote ou, se for oportuno, pelo cantor ou pelo grupo de cantores; é cantado por todo o povo junto, ou pelo povo alternando com o grupo de cantores.
Se não for cantado, será recitado por todos juntos, ou por dois coros alternando entre si.
Oração universal
Na oração universal ou oração dos fiéis, o povo responde de certo modo à palavra de Deus acolhida na fé e exercendo a sua função sacerdotal, eleva preces a Deus pela salvação de todos. Convém que normalmente se faça esta oração nas Missas com o povo, de tal sorte que se reze pela Santa Igreja, pelos governantes, pelos que sofrem necessidades, por todos os seres humanos e pela salvação do mundo inteiro.
Normalmente serão estas as séries de intenções:
a) pelas necessidades da Igreja;
b) pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo;
c) pelos que sofrem qualquer dificuldade;
d) pela comunidade local.
No entanto, em alguma celebração especial, tal como Confirmação, Matrimônio, Exéquias, as intenções podem referir-se mais estreitamente àquelas circunstâncias.
Cabe ao sacerdote celebrante, de sua cadeira, dirigir a oração. Ele a introduz com breve exortação, convidando os fiéis a rezarem e depois a conclui. As intenções propostas sejam sóbrias, compostas por sábia liberdade e breves palavras e expressem a oração de toda a comunidade.
As intenções são proferidas, do ambão ou de outro lugar apropriado, pelo diácono, pelo cantor, pelo leitor ou por um fiel leigo.
O povo, de pé, exprime a sua súplica, seja por uma invocação comum após as intenções proferidas, seja por uma oração em silêncio.



Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos
 Roma - 2002